(source: Jack Vartoogian/FrontRowPhotos)
Esse post tem nada a ver com o samba, mas como o grande conguero Francisco Aguabella foi meu professor por vários anos aqui em Los Angeles, queria homenagear ele aqui no meu blog, para vocês que não o conhecem. O maestro - nascido em Matanzas, Cuba em 1925 - morreu aqui em Los Angeles no dia 7 de maio com 84 anos de idade.
Francisco era um santero devoto, filho de Changó (porém sempre vestia, e fazia seus alunos sempre vestir, de branco e vermelho para qualquer performance), e jamais trabalhava no dia de Santa Bárbara (4 de dezembro). Francisco foi grande pioneiro na inovação de Latin Jazz nos EUA, sendo um dos primeiros a botar congas no jazz.
Tive a oportunidade de estudar o tambor batá com Francisco na Universidade da Califórnia de Los Angeles. Nunca me esqueço da minha primeira aula com ele. Sendo percussionista, imaginei que fôsse ser muito mais fácil aprender... Eu estava começando com o tambor pequeno dos três batá, o okónkolo (os outros tambores sendo o itótele e o iyá - médio e grande), que é como todo aluno de batá deve começar. Eu, pensando que estava segurando a onda tranqüilo, estava na verdade atravessando o ritmo e não tinha a maior idéia de onde começava e onde terminava o toque. Francisco veio pra mim, me olhando meio torto, e tirou o tambor do meu colo, virou as costas e saiu andando chacoalhando a cabeça como quem diria: "xiiiii, não sei não... esse cara não tá com nada..."
Sacanation...
Com o passar dos anos, Francisco e eu tivemos muitos argumentos, eu tentando entender o ritmo que ele nunca explicava, e ele gritando que "isso aqui não é samba, ¡coño!" Também lembro que a primeira vez que tocamos uma comparsa, um ritmo carnavalesco cubano, eu pensei que o tambor de fundo fazia uma batida que nem o zabumba no forró. Só que a virada era ao contrário, com o grave batendo no UM, e não no dois, então tinha o ritmo completamente virado... (outra vez!!!). Francisco soltou os cachorros em mim e o couro comeu... (outra vez!!!)
(Eu, na direita, tocando iyesa com o grupo de estudantes de Francisco. Photo by Donna Armstrong)
Então para encerrar, deixo vocês com uma música do disco H2O de 1999.
Salve o mestre Francisco...



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